Por que o Inglês não se pronuncia como se escreve? Uma Viagem Pela História dos Sons

Por que o Inglês não se pronuncia como se escreve? Uma Viagem Pela História dos Sons

Você já tentou ler um texto inglês e ao fim percebeu que leu tudo diferente? Ou alguma vez já tentou cantar uma música mas não conseguiu acompanhar porque tentava falar tudo o que estava escrito?

Isto acontece porque estamos acostumados a reproduzir inconscientemente o padrão da nossa língua portuguesa – que é uma língua silábica – em que a duração de cada sílaba tende a ser mais equilibrada: sem ‘engolir’ uma parte da palavra. Uma observação é que aqui não falo de sotaques que cortam e combinam palavras, mas do padrão da língua portuguesa. Enquanto isto, a língua inglesa é uma língua rítmica – stress-timed – ou seja, a cadência de uma fala é marcada pelo tempo entre as sílabas tônicas, e não pela duração igualitária de todas as sílabas. Esse ritmo acentual ocorre pelo intervalo entre sílabas tônicas e sílabas átonas. A primeira são as sílabas que recebem maior ênfase e consequentemente duram alguns segundos a mais. A segunda, por sua vez, são sílabas mais suprimidas tendo o seu tempo de duração reduzido.

Quando falamos sobre o ritmo da língua inglesa, precisamos conhecer o schwa /ə /, pois as sílabas reduzidas assumirão esse som. O schwa é o som mais comum do inglês. Seu significado vem do grego e significa ‘vazio’. Ele é um som curto e pronunciado com a boca e mandíbula relaxadas. O som é neutro e se assemelha a ‘uh’ ou ‘â’. Uma forma simples de aprender é: sabes quando alguém conta uma asneira e a gente faz ‘uh’ colocando a mão na testa? Então, esse é o som do schwa. A imagem a seguir mostra a posição da mandíbula e língua para pronunciar corretamente.

É importante ressaltar que o schwa só aparece em sílabas fracas que não são acentuadas.

“Mas e teacher, quando ela aparece? Nunca vi essa letra em inglês!”

O schwa é um símbolo fonético que representa o som de uma letra, é por isso que nunca vamos vê-la escrita num texto com letras romanizadas. Ele pode ser representado pelas vogais A, E, I, O ou U.

Exemplo:

  • To: /tu/ passa a ser /tâ/
  • Minute: /mɪnət/
  • Private: /praivət/
  • Camera: /’kæmərə/
  • Original: /əˈrɪdʒənəl/ 

Um outro ponto são as letras mudas. Isso mesmo, em inglês temos letras que não as pronunciamos por diversas razões: evolução histórica em que as pessoas simplesmente passaram a suprimir sons; reforma ortográfica em que ocorrem alterações na pronúncia da das palavras, todavia as letras permanecem lá; por fim, as letras que mesmo não pronunciadas influenciam a pronúncia da palavra.

Exemplos de letras mudas:

B antes de T ou depois de M : 

Climb Debt
ThumbDoubt

 

C seguido de CQ ou precedido de S:

AcquireSci-fi 
Acquaintance Science

 

K seguido de N:

Know Knot
KneeKnife

 

T quando em palavras de origem francesa ou na combinação ‘sten’ e ‘sten’.

ChristmasListen
GourmetWhistle

 

P antes de S e N:

PsychologyCorps 
PneumoniaPsalm

 

Trazendo um pouco mais de detalhes, é importante salientar que a letra E ao final das palavras não costuma ser pronunciada na língua inglesa, exceto quanto à marca Nike. E isso se dá por ser uma palavra de origem grega. 

A adição de um E mudo ao final de uma palavra, faz com que a primeira vogal diga o seu próprio nome: A tem o seu som de ‘ei’; E tem som de ‘i’; I tem som de ‘ai’; O tem som de ‘ou’; e U tem som de ‘iu’. Sendo assim, tomemos como exemplo a letra I: seu som é ‘ai’ como em bite (picada). A letra E está presente, mas não a pronunciamos. Caso ela não estivesse lá, teríamos a palavra bit (pouco). Em outras palavras, a presença ou ausência da letra E ao final de palavras influencia tanto no som quanto na significância das palavras.

Na tabela a seguir podemos ver a influência da letra E que alonga o som da primeira vogal: 

AEIOU
/ei//i://ai//oʊ/ /ju:/
Fate PeteSite Code Cute
KateTheme PinePopeMute

 

Agora você já sabe que não é porque uma letra está lá que vamos pronunciá-la. Mas talvez você pergunte: ah, teacher e como eu vou saber se devo falar todas as letras ou não?

Sendo bem sincera, a melhor forma de aprender qualquer idioma é pelo contato recorrente com ela. Quanto mais você consumir conteúdos em inglês, falar mais  e treinar a escrita, você aprenderá de forma mais natural e leve, sem ter que ficar decorando regras. As regras e tabelas te ajudam na aquisição de uma língua, mas não deve ser o método principal. Portanto, mergulhe na língua. Traga-a para a sua realidade e aos poucos vá transformando sua rotina para o inglês.

 

That’s it for today. See you next time 🙂

Author:  Teacher Rayssa

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