Do VHS à Inteligência Artificial: a evolução do ensino de inglês
Eu comecei a dar aulas de inglês quando eu era bem jovem, com apenas 17 anos. Era na maior escola de inglês da minha cidade e eu era aluna de lá, em 1997. Inglês sempre foi a minha paixão e antes disso eu já dava algumas aulinhas ou ajudava meus colegas com a gramática. Conseguir aquele primeiro emprego oficial foi muito importante em minha vida e depois de tantos anos fazendo algo que amo, paro pra pensar em como o cenário para ensinar ou aprender um idioma está diferente nos dias atuais.
Eu sei que se você é bem jovem e está lendo isso, vai pensar que é papo de pai, professor ou adulto, mas a geração de hoje às vezes não tem ideia da quantidade de recursos que estão disponíveis para quem está aprendendo um idioma ou do quanto poderiam adicionar mais conhecimento ao seu repertório. Vou dar alguns exemplos:
Recursos na sala de aula
Quadro eletrônico? Slides? Dispositivos digitais? Nem pensar! Quem aprendeu inglês nos anos 90, provavelmente se lembra de algumas cenas clássicas: um quadro branco com caneta Pilot ou quadro de giz, um aparelho de som portátil na sala de aula, fitas cassete ou CD e muita expectativa para ouvir um diálogo gravado por falantes nativos. Eu amo trabalhar com cenas de séries e filmes em sala de aula, mas quando eu queria passar algum filme, era na televisão mesmo. As escolas de inglês mais equipadas tinham televisão em algumas salas, mas geralmente a gente levava os alunos para a TV room. Era uma tela pequena , mas mesmo assim era uma curtição! Provavelmente o dia mais divertido do semestre para os alunos.
Um mundo sem o Google, especialmente o Tradutor
Hoje basta pegar o celular pra descobrir o significado de uma palavra em segundos. Além disso, com IA, você não só traduz um texto, mas também pode pedir explicações gramaticais e exercícios de acordo com seu nível. Nos anos 90, a realidade era outra. Os companheiros inseparáveis dos estudantes eram as gramáticas e os dicionários impressos. No caso do dicionário, procurar uma palavra exigia paciência e, muitas vezes, você nem achava a palavra naquela edição e precisava procurar outra mais avançada ou sofisticada. Curiosamente, esse processo ajuda os alunos a memorizar o vocabulário mais rápido. Por que? A neurociência mostra que, quando fazemos um esforço para recuperar ou encontrar uma informação ao invés de simplesmente recebê-la pronta, o cérebro tende a consolidá-la com mais facilidade. Esse fenômeno é conhecido como efeito de geração (generation effect): quanto mais ativamente participamos da construção do conhecimento, maiores são as chances de lembrá-lo no futuro. É por isso que durante as minhas aulas eu ainda prefiro explicar a gramática escrevendo no quadro ao invés de mostrar slides. Assim, vou construindo o raciocínio junto com os alunos.
Cartas, revistas, fitas VHS e encartes de CD
Antes de escrever esse parágrafo, fiz um teste com meu filho de 14 anos. Perguntei quantas dessas coisas do título acima ele já havia usado. Obviamente a geração Z tem conhecimento sobre esses objetos, mas eles não fazem parte do seu dia a dia. Quando eu era uma jovem professora, os recursos que se transformavam em elementos da aula levavam muito mais tempo para encontrar e planejar. Me lembro de um dia na sala dos professores, há muitos anos, que em grupo tentávamos descobrir o que o cantor dizia numa música em inglês, já que o CD tinha vindo sem as letras no encarte. A gente pegava essas letras com o intuito de tirar algumas palavras para que os alunos pudessem completar em sala de aula. Depois de muitas horas, aquele com o ouvido melhor conseguia descobrir o que a música dizia. Olhem só que contraste: O aluno hoje que quiser aprender inglês escutando música não tem nenhuma dificuldade em conseguir a letra. E muito mais: Escutar uma música no youtube ou spotify ou saber o que diz o cantor leva menos de 10 segundos para acessar!
Só uma coisa nunca vai mudar
A tecnologia transformou completamente a forma como aprendemos. Na atualidade, todos nós temos acesso a aplicativos, plataformas digitais, aulas on-line, vídeos, podcasts, inteligência artificial e acesso quase ilimitado a conteúdos em inglês. Entretanto, algo permanece igual: aprender um idioma continua exigindo dedicação, estudo, prática e contato frequente com a língua. Nenhuma tecnologia moderna vai substituir a constância e a vontade de aprender. Generation X, Millennials, Generation Z, não importa: cada geração têm seus desafios e suas vantagens. No fim das contas, seja com uma fita cassete ou um aplicativo no celular, o objetivo continua igual: usar o inglês para se comunicar, conhecer novas culturas e ampliar as possibilidades pessoais e profissionais.
Author: Juliana Malheiros
🌍 A cultura vai além do idioma
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